A maioria das vezes que lemos comentários gigantescos em blogs e outras mídias sociais é porque as pessoas estão defendendo seus pontos de vistas sobre algum assunto emblemático. Sobre algum rapaz amarrado num poste pelas pessoas por uma suspeita de assalto, sobre comentários de alguma celebridade ou, por reivindicações políticas e, obviamente sociais, que afetam as vidas das pessoas, sejam por meios partidários ou não Até por preferências religiosas – mas esta eu separei das demais, porque religião é questão de fé e não se deve discutir contra Fulano pertencer à religião B, só porque Sicrano não pertence a B. Isso é intolerância religiosa, algo para ser tratado em outro momento.

O que me irrita não são os comentários nas mídias sociais, blogs e sites. O que me irrita é a razão. Muitas vezes deturpadas por interesses difíceis de elencar e demonstrar com clareza. Mas as pessoas estão lá, sedentas por transmitir que elas têm sim, posição política e moral, e estão com a razão sobre o assunto abordado.

Um sinal bem claro que uma pessoa não sabe o que está falando, mas pensa que sabe, são os xingamentos ou tentativas de incapacitar o outro com elementos ideológicos, que não se pode comprovar, utilizados muitas vezes, como ferramentas de marginalização ou com deturpações históricas e de pensamento, com frases prontas de possíveis celebridades e imagens, reais ou não, para enaltecer suas idéias, conquistando a razão e adeptos a ela.

As pessoas estão, muitas vezes, brigando com o outro, na web, por motivos fúteis ao invés de debater, perguntar sobre algo que não sabem com humildade, conversar ou simplesmente, nem entrar num comentário, apenas observar e se atentar a eles, para formar a sua opinião com os fatos discutidos. Há um ar de inflexibilidade e intolerância que brutaliza e violenta a capacidade de pensamento na busca da verdade por detrás dos fatos.

A nossa opinião é sempre formada por tudo que nos é transmitido, aprendido e cultivado (cultura), ou seja, vivenciado. Uma pessoa isolada das demais transmite, aprende e cultiva o que necessita para sobreviver. Uma sociedade isolada, idem, com a diferença de compartilharem suas vivencias em comunidade. Mas em uma sociedade interligada e globalizada, na qual somos obrigados a interagir e conviver com a diversidade, exponenciando nossas possibilidades de transmissão, aprendizado e de interação com diversas culturas entre si, como fica a nossa percepção do que é necessariamente real para a nossa vida em comum? Como ter mais razão do que o outro sobre um mesmo assunto, dentro de contextos de vidas tão diferentes?

A nossa sociedade é muita complexa e existem muitos interesses ligados ao que nos é transmitido, aprendido e cultivado, para que sejamos pessoas cada vez mais preparadas para este mundo cada vez mais caótico. Ora, se nossa opinião é formada por tudo que vivenciamos, ou seja, para aquilo que nos é necessário para a nossa sobrevivência individual dentro da sociedade, quais sejam, como podemos dizer que estamos falando a verdade, se cada um tem a sua própria verdade vivenciada e interpretada? Como sabermos se não estamos sendo usados e manipulados pelas interpretações que fazemos se somos educados num determinado contexto de transmissão, aprendizado e cultura de pensamento? Acho muito difícil.

A solução está no diálogo e em tentar entender o outro, das suas necessidades e contextos sociais. Deixar de lado os preconceitos, entendendo-os como tal, para vivermos numa sociedade mais harmoniosa e justa.

Mas fica difícil tomar partido quando formadores de opinião nos transmitem informações desencontradas e assumem posições contraditórias, muitas vezes mentirosas ou quando se omitem sobre assuntos importantes, públicos ou não, levando em consideração, apenas, os seus próprios interesses ou os de seus pares, nos prejudicando e disseminando a discórdia e a incompreensão.

Fica a dica:

Informe-se, aprenda e cultive o que é bom para você e os outros. Transmita a ética, a tolerância e o respeito ao próximo. Siga o seu caminho de cabeça aberta, selecionando o que realmente é bom e necessário. Questione e questione-se!

Ter razão não é estar com a verdade, pois a mentira pode ser racional e ter motivo para existir e, por isso, ser real. (Flávio Estaiano)

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