Justiça e Política se faz com amor

por Patricia Bianco

Divido minha trajetória de ideologia política em duas fases: A Patrícia da juventude e a Patrícia da maturidade.

Aos 15 anos já fui da direita. A Meritocrata. Onde meu único esforço, e suor do meu trabalho garantiria meu sucesso. Até que eu tive que competir no mercado de trabalho com a elite acadêmica que teve a oportunidade de estudar na Europa e eu estudei no catastrófico sistema do ensino público da periferia.

Quando abri meus olhos e vi que existia uma distribuição desigual de alimentos, educação, água e etc, fui para esquerda radical, daquelas que acredita que ferir e depredar diretamente os ícones do Capitalismo, estaríamos subvertendo o sistema excludente, injusto e desigual que não garante as mesmas oportunidades para todos. Ímpetos de justiça da juventude, afinal:

Existe um bilhão de pessoas acima do peso, e existe um bilhão de pessoas passando fome.

Existem 6,07 milhões de domicílios vazios em São Paulo, e existem 1,112 milhão de famílias sem moradia no mesmo Estado.

Poderia citar vários índices para mensurar a distribuição desigual de água, educação básica, saúde e etc…Como um livro, que por ironia, era de inteligência em negócios, chamado Abundância de Steve Kotler, o problema não é a escassez das coisas, é a má distribuição das coisas.

Evolui um pouco mais em meu pensamento político e meus atos políticos. Fui para a esquerda liberal, aquela esquerda que negocia com empresas para aumentar a distribuição e acessibilidade de recursos aos mais pobres. Afinal, se não fosse a Nestlé, não teríamos leite e nem sabonete no mundo. Se não fosse a Bayer ou Pfizer não teríamos medicamentos que ainda salvam vidas. Precisamos das empresas e seus processos produtivos para evolução da condição humana.

E hoje a Patrícia da maturidade descobriu que os rótulos políticos atribuídos as ideologias construídas ao longo da história não abarcam o ser humano em sua totalidade. Quem é responsável por essa distribuição? Não são as empresas ou os Estados, ou Ongs. Somos nós, homens, seres humanos dotados de qualidades e defeitos, e podemos começar essa distribuição hoje mesmo, agora.

É como o mito da caverna de Platão, dependendo do ponto de vista, TODOS ESTÃO CERTOS, cada receita política ou econômica é eficiente para um contexto social e cultural, mas nenhuma delas é a verdade universal.

A única verdade é que a Justiça…se faz com amor. Se estarei na esquerda, na direita eu não me importo. E infelizmente o debate da coexistência pacífica no Brasil das diferenças é partidário e religioso e não político.

Os dois lados tem seus pontos de vista econômicos relevantes para promoverem o desenvolvimento e a igualdade no mundo.

Quando eu falo da pobreza todos me chamam de cristã ou humanista, mas quando eu falo das causas da pobreza me chamam de comunista. Eu sou comunitária e acredito no coletivo e na união. Não na individualidade que apregoa o mercado neoliberal de Wall-Street.

Quando eu falo que os ricos devem ajudar os pobres me chamam de bom ser humano filantrópico. Mas quando eu falo que os pobres têm que lutar pelos seus direitos, me chamam de revoltada.

Atribuir a luta pelos direitos dos pobres e o engajamento pela justiça social aos ideários ideológicos da esquerda implica desonestidade intelectual, ignorância ou má fé segundo publicações da direita como Veja e Época. São julgamentos errados.

Atribuir as políticas da direita como excludentes, egoístas e má intencionadas pelas elites, como fazem as publicações de esquerda como Carta Capital e Le monde Diplomatique também é um julgamento errado. O que falta dos dois lados é o amor e se colocar no lugar do outro.

E talvez é isso que fazemos demais, julgamos, comparamos e criticamos. Enquanto poderíamos tolerar diferenças, respeitar, amar, perdoar e humildemente nos colocar no lugar do próximo e priorizar acima de tudo a dignidade humana e seus direitos básicos fundamentais inalienáveis: Comida, moradia e educação emancipatória.

Justiça se faz com amor, o conhecimento das estruturas politicas, sociais, leis, culturais e econômicas é a ferramenta para chegarmos lá.

O objetivo desta dissertação é justificar minha opção política, e minha opção política é: Mais amor, perdão, gratidão e humildade seja onde estiver.

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