A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), publicou recentemente uma lista dos alimentos com maior nível de contaminação. Segundo a agência, 18 tipos de alimentos em 25 estados brasileiros e DF foram analisados. E eu me pergunto, só 18?

A população certamente se surpreenderá com esse resultado alarmante, que pra mim não apresenta nenhuma novidade. Quando o assunto são os altos níveis de compostos tóxicos presentes nos alimentos, muito pouco se fala na mídia e quando o assunto vem à tona, são os mesmos alimentos e os mesmíssimos resultados durante toda uma década: Sempre alarmantes.

O controle de qualidade é realidade apenas quando o assunto é exportação. Nos produtos para consumo interno, pouco se tem a fazer. A origem do alimento consumido pelos brasileiros na grande maioria das vezes são excessos de produção ou são produtos em que os xenobióticos (compostos que foram acrescentados e que não são da natureza do alimento – Ex: pesticidas, herbicidas, fungicidas) excederam os limites aceitáveis para serem exportados ou ainda, e nos melhores dos casos, são alimentos advindos dos pequenos produtores. Esses últimos não menos perigosos, pois também é difícil controlar a quantidade das substâncias tóxicas utilizadas na agricultura familiar.

Se há uma grande preocupação frente as pesquisas comumente divulgadas pela ANVISA (pimentão, tomate, morango, cebola, batata, feijão, etc.) a inquietude também poderá se estender quando pensamos em produtos cárneos (suínos, bovinos, cordeiros, aves, peixes e afins), leite, ovos e derivados. Esses alimentos dificilmente apresentam agrotóxicos, porém podem apresentar altíssimos níveis de hormônios, alguns medicamentos como os antimicrobianos, os antiparasitários e outros compostos, que frequentemente são utilizados para melhorar o desempenho do animal no sistema de produção.

Minha preocupação de farmacêutica entra no caso particular do uso de medicamentos: Muitos desses antimicrobianos utilizados na produção também são utilizados na terapêutica humana, quando apresentamos por exemplo uma infecção de garganta, o que poderá acarretar a longo prazo em uma resistência bacteriana.

Acredito que deva existir uma fiscalização mais rígida por parte dos órgãos públicos frente à todos os alimentos de consumo interno e mais clareza de informação, já que esses alimentos estão presentes na mesa dos brasileiros.

Lista da ANVISA dos alimentos com maior nível de contaminação

 

Renata Estaiano, Farmacêutica, Mestre em toxicologia de alimentos pela Unicamp.

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